Todos os sinais
MÓDULO TEÓRICOFundamentos de Libras
01 A Estrutura dos Sinais em LIBRAS
A LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) é uma língua visual-motora. Isso significa que, enquanto as línguas orais utilizam o som, a LIBRAS é articulada fisicamente, utilizando principalmente as mãos, além de expressões faciais e posturas corporais.
Assim como as palavras no português são formadas por letras e sílabas, os sinais em LIBRAS são formados pela combinação de três unidades básicas, chamadas de parâmetros fonológicos:
- Configuração de Mão: É a forma que a mão (ou as mãos) adota no momento de fazer o sinal.
- Locação (ou Ponto de Articulação): É a região do corpo ou o espaço físico onde o sinal é realizado (por exemplo, na testa, no peito ou no ar, à frente do corpo).
- Movimento: É a trajetória ou a ação realizada pela mão durante o sinal (pode ser um movimento circular, reto, em zigue-zague ou até mesmo a ausência de movimento).
A importância do contraste (Caráter Distintivo)
O ponto central para entender a estrutura da LIBRAS é que a alteração de apenas um desses parâmetros muda completamente o significado do sinal.
02 Configuração de mão
Configuração de Mão (CM)
A Configuração de Mão (CM) refere-se à forma que uma ou ambas as mãos assumem para produzir um sinal. Ela envolve a posição dos dedos, que podem estar estendidos, flexionados, unidos ou separados.
O inventário de configurações de mão
O Dicionário de configurações das mãos em Libras, de Charles Lary Marques Ferraz, apresenta um conjunto de 64 configurações de mão. Esse número corresponde ao inventário adotado na obra; a quantidade pode variar conforme os critérios de classificação utilizados em diferentes estudos.
As configurações também aparecem no alfabeto manual e nos números. Por isso, não devem ser entendidas como um conjunto totalmente separado das formas usadas na datilologia e na representação dos numerais.
Estabilidade e movimento interno
Durante a execução de um sinal em Libras, a configuração de mão pode permanecer constante ou mudar:
- Configuração constante: a mão mantém a mesma forma do início ao fim do sinal, mesmo que se desloque no espaço.
- Mudança de configuração: a mão passa de uma forma para outra durante o sinal, por meio da articulação dos dedos. Essa mudança pode integrar o movimento interno da mão, como na abertura ou no fechamento dos dedos.
Ao observar um sinal, preste atenção tanto à forma inicial quanto à forma final das mãos e às mudanças que ocorrem entre elas.
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03 Movimento
O movimento é a ação realizada durante a produção de um sinal. Ele acontece no espaço de sinalização, também chamado de espaço de enunciação: a região do corpo e ao seu redor utilizada para sinalizar.
Não se trata apenas de deslocar os braços. O movimento pode envolver os dedos, as mãos, os punhos e os antebraços. Alguns sinais mantêm uma posição, sem movimento.
1. Tipos de movimento: o que se move?
A pesquisadora Ronnie Wilbur distingue o movimento de trajetória e o movimento local. Um sinal pode apresentar um deles ou combinar os dois:
- Movimento de trajetória (direcional): a mão muda de lugar no espaço, como ao se deslocar de cima para baixo.
- Movimento local (interno): ocorre uma ação dos dedos ou do punho, como abrir a mão ou girar o punho, sem que a mão precise mudar de lugar no espaço.
2. Direcionalidade: para onde vai?
- Unidirecional: segue em uma direção.
- Bidirecional: ocorre em duas direções, como em um movimento de ida e volta.
- Multidirecional: ocorre em várias direções.
3. Maneira: como acontece?
Observe a tensão e a velocidade: o movimento pode ser mais firme ou suave, rápido ou lento. Reproduza essas características conforme a demonstração do sinal.
4. Frequência: quantas vezes se repete?
Observe se o movimento acontece uma única vez ou se é repetido. A quantidade de repetições faz parte da forma de execução do sinal.
Para observar: ao assistir a um GIF, identifique o que se move, a direção, a maneira e a repetição. Depois, tente reproduzir o conjunto.
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04 O Ponto de Articulação (PA)
O Ponto de Articulação é o local exato onde o sinal é realizado. Na LIBRAS, a comunicação ocorre dentro de uma área visual delimitada chamada espaço de sinalização, que vai do topo da cabeça até a cintura, respeitando a largura dos braços.
Para facilitar o entendimento, os sinais dividem-se em duas categorias práticas:
1. Sinais com contato no corpo
A mão encosta ou se aproxima de uma parte física do sinalizador, como o rosto, o tronco ou os braços.
Exemplos: APRENDER e PENSAR (feitos na testa); GOSTAR e SENTIR (feitos no peito).
2. Sinais no espaço neutro
A articulação ocorre solta no ar, na região livre à frente do corpo, sem qualquer contato físico.
Exemplos: TRABALHAR, BRINCAR, CONVERSAR e PAQUERAR.
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